Iata vê queda de 70% no tráfego aéreo no 2º tri e afasta recuperação em 2020

Para presidente da associação mundial de aéreas, mesmo após afrouxamento de restrições por pandemia, empresas ainda terão de lidar com recessão econômica

A Iata informou nesta terça-feira que estima que o setor aéreo apresente no segundo trimestre do ano um prejuízo líquido de US$ 39 bilhões, com uma queima de caixa de US$ 61 bilhões no período e um desembolso de aproximadamente US$ 35 bilhões, em reembolso de passagens adquiridas pelos clientes que desistiram dos voos ou tiveram seus voos cancelado.

“Esses números estão além de tudo o que já vimos no setor aéreo antes”, afirmou em teleconferência o presidente da Iata, Alexandre de Juniac.

“Propomos para as empresas adotarem a opção de fornecer um vale para os passageiros para usar em outros voos no futuro. Ainda não é possível saber qual vai ser o impacto disso no setor”, afirmou o executivo.

Atualmente, de acordo com a Iata, o setor opera com menos da metade da capacidade com que operava em janeiro deste ano. A Iata mantém a projeção de perdas de receita no ano de US$ 252 bilhões.

Sem recuperação em vista

O setor aéreo tem sido fortemente afetado pela pandemia de covid-19 no mundo desde janeiro e não há perspectiva de que volte aos níveis do fim do ano passado antes de 2021, avalia Juniac.

“O processo de colapso envolve todos os elos da indústria aérea no mundo. Todos estão sofrendo com a crise”, afirmou Juniac.

Brian Pearce, economista-chefe da Iata, disse que atualmente as empresas aéreas no mundo têm caixa suficiente para bancar seus custos e despesas por até três meses.

“A boa notícia é que muitos países começaram a aprovar pacotes de ajuda para o setor aéreo e isso deve ajudar as empresas a ter alguma injeção de caixa no curto prazo. Mas o problema é como os governos estão se estruturando para que as empresas aéreas possam retomar as atividades rapidamente quando o isolamento social for relaxado”, afirmou Pearce.

A Iata estima que os governos em todo o mundo devem manter, por pelo menos mais três meses, medidas de isolamento social mais rígidas. Mas, depois desse prazo, observou Juniac, as empresas aéreas ainda vão ter que lidar com a recessão econômica resultante da paralisação da atividade econômica.

A Iata estima que o setor aéreo no mundo ainda apresentará uma queda importante na demanda durante o terceiro trimestre deste ano. Juniac também disse que parte das empresas aéreas deve sucumbir à forte queda de demanda e de receita neste semestre.

“No momento é difícil prever quantas empresas irão à falência. Mas uma parte das empresas deve quebrar. E o setor deve apresentar uma consolidação nos próximos meses, com união de empresas aéreas entre si”, afirmou o executivo.

Na China, ocupação de 55% a 60%

O mercado aéreo da China apresenta uma recuperação lenta na demanda, informou hoje a Iata. Juniac disse que as empresas aéreas no país estão operando com uma taxa média de ocupação entre 55% e 60%.

“O processo de recuperação na China é lento agora”, afirmou.

Juniac disse que as empresas vão ter que desembolsar em torno de US$ 35 bilhões para restituir passageiros pela compra de passagens aéreas não usadas.

Pearce, o economista-chefe da Iata, disse que muitas empresas fizeram melhorias em seus balanços, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido pelo setor. A Iata estima, por exemplo, que as despesas variáveis das empresas aéreas tenham caído 70% no primeiro trimestre do ano.

“Ainda não está claro como será a recuperação da economia global e há risco de a epidemia voltar antes de as economias voltarem a crescer em 2021”, disse Pearce.

A Iata considera uma questão chave saber como vai ficar a disputa comercial entre os países quando a pandemia de covid-19 estiver controlada.

A associação também estima que as empresas aéreas não terão recursos para receber encomendas de aviões neste ano. “As empresas aéreas devem rever as suas encomendas neste ano”, disse Juniac.

Fonte: Valor Econômico

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