Serviços na área de saúde ajudam aviação executiva

Apesar da nova demanda, setor opera com retração de 20%

O mercado de aviação executiva operou em março e na primeira semana de abril com queda de 20% em relação ao mesmo período de 2019, estima a Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag). O segmento chegou a ver um aumento de 10% na demanda em meados de março, quando os voos comerciais começaram a ser suspensos por causa da pandemia de covid-19.

Agora, mesmo com a oferta de voos comerciais no país reduzida em 92%, as empresas de aviação executiva se deparam com uma demanda retraída por causa da pandemia. Um alento vem da flexibilização de normas para o transporte aéreo de cargas.

“Quando os voos comerciais começaram a ser suspensos, quem podia fretou voos para voltar com a família para casa. Mas agora a demanda está retraída”, afirmou Flávio Pires, diretor geral da Abag.

A queda na aviação executiva é similar à retração da aviação comercial. A Gol reportou em março queda de 27,4% no tráfego doméstico de passageiros; a Latam teve queda de 19,4% e a Azul, de 21,6%.

Pires disse que a demanda tem ficado concentrada em serviços de ambulância aérea, transporte de testes para covid-19, de vacinas e materiais médico hospitalares.

No fim de março, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) emitiu a Portaria nº 880, que permite o transporte de cargas por empresas de táxi-aéreo sem necessidade de anuência prévia. Com isso, elas podem transportar substâncias biológicas, como vacinas e amostras de exames, e produtos para a área da saúde, como medicamentos e respiradores.

A Líder Aviação é uma das empresas que está se beneficiando da nova regra. “Temos recebido demanda principalmente de grandes laboratórios para fazer o transporte de exame”, afirmou Bruna Assumpção Strambi, diretora superintendente de manutenção, fretamento e gerenciamento de aeronaves da companhia. Também há procura de fretados para trazer materiais hospitalares de outros países. “Esses voos mais longos têm com pensado a queda na demanda por voos para distâncias mais curtas dentro do país”, acrescentou.

A Icon Aviation, empresa de aviação executiva do empresário Michael Klein, também começou a oferecer em abril o serviço de transporte de cargas biológicas em seus aviões. A empresa informou, no entanto, que ainda não chegou a operar voos com essas cargas. Sem citar números, a Icon informou que viu crescer a demanda nos últimos 30 dias por voos para repatriação. Em seis voos, 40 passageiros foram transportados.

A inglesa ACS – Air Charter Service, especializada em fretamento aéreo, informou que a principal demanda nos últimos dias tem sido de voos fretados para buscar cargas de produtos médicos da China para o Brasil.

Ana Benavente, diretora executiva da ACS para a América do Sul, disse que também houve aumento ao longo de março e abril da procura de fretamentos para repatriamento de pessoas que estavam presas em países da África e da América do Sul.

“Em volume de negócios houve um aumento de 25% a 30% na América do Sul com a pandemia”, afirmou Ana. No Brasil, ela observou que cresceu recentemente a procura por voos fretados para transportar entre os Estados profissionais que estão construindo hospitais de campanha.

Fonte: Valor

Principais da Semana