5 previsões sobre o futuro das aéreas, segundo o presidente da Latam

Queda na demanda pode ser de até 40%, diz Jerome Cadier

Um dos setores mais afetados pela crise do coronavírus foi o aéreo. Com a população em quarentena e a redução expressiva do número de voos em todo o mundo, até as maiores empresas lutam para se manter de pé.

Nesse contexto, o presidente da Latam no Brasil, Jerome Cadier, concedeu entrevista para o jornal O Globo sobre a reação do setor diante deste momento de incertezas. Com mais de cinco mil funcionários de licença não-remunerada e 14 mil de licença compulsória, o empresário de uma das maiores companhias aéreas da América Latina ressaltou as projeções para os próximos anos e as mudanças que deverão ser adotadas na aviação brasileira.

E-Investidor selecionou as cinco principais previsões de Cadier para o futuro das companhias aéreas. Confira:

1 – Aéreas dependerão de auxílio do Governo

Empresas precisarão ter acesso a crédito público para sobreviverem à crise do coronavírus. A depender de quanto tempo durar a crise, as empresas chegarão em situação de insolvência absoluta, precisando de auxílio mais contundente, segundo o empresário.

A preocupação também não será só resistir a 2020, mas manter-se de pé nos próximos anos com as mudanças que o setor deverá passar. Cadier acredita que as empresas talvez sobrevivam à primeira onda, mas que muitas podem desaparecer em 2021, 2022.

No dia 17 de abril, a Latam anunciou redução de 95% dos voos previstos para maio. Segundo ele, a companhia está queimando combustível e a malha hoje não paga o custo variável. O ideal, de acordo com o presidente, seria parar as operações. Porém, a empresa continua operando no Chile e no Brasil por determinação dos governos.

2 – Empresas trabalharão com menor demanda e excesso de oferta

Para Jerome Cadier, o setor aéreo deve ter queda de 30% a 40% na demanda em 2021. Ele diz que o passageiro a turismo vai ter menos economias e vai postergar a viagem e o de negócios está encontrando outras maneiras de trabalhar.

Entretanto, na outra ponta, o potencial das empresas aéreas de reduzir a oferta na mesma proporção é baixo. Ele lembra que avião parado tem custo e que, nesse ambiente, o custo de operação virou o fator número 1. Cadier afirma que, como terá se endividado para sobreviver à primeira onda, vai precisar colocar o avião para voar. Logo, a combinação entre diminuição de passageiros e excesso de capacidade, poderá resultar na forte diminuição dos preços.

3 – Passageiros terão novos hábitos

Mesmo após o pico da crise do coronavírus, as empresas aéreas deverão se adaptar a novas demandas de saúde. Para Cardier, o passageiro que voar daqui a um ano, estará preocupado com a higienização a bordo.

Não é viável adotar um espaçamento entre as pessoas, deixando o assento do meio vazio. Para ele, não é possível transformar um avião de 180 assentos em um de 120. Ou seja, adequar-se aos novos tempos pode não ser tão fácil para as aéreas.

4 – Setor deverá se tornar mais flexível

A crise do coronavírus deixará marcas profundas no setor, mas nem todas elas serão exatamente negativas. No pós crise, a ineficiência vai ser inaceitável, segundo Cardier. Ele diz que hoje as regras que regem o setor são bastante restritivas e um ‘legado’ positivo dessa época difícil seria justamente a flexibilização de algumas normas.

O presidente da empresa citou o que acredita que precisa de mudança: a maneira de remunerar o tripulante e contratar mão de obra, os contratos com os lessors (empresas de leasing de aviões) e com os fabricantes, que terão de ser mais flexíveis, na sua visão. Segundo ele, o bilhete também precisará ficar mais flexível.

Além da questão de remuneração e possibilidade de mudanças nas passagens, a quantidade de horas que os tripulantes podem voar também poderia ser alvo de análise. Ele conta que a Latam fez, recentemente, um voo para buscar EPIs (equipamentos de proteção individual para profissionais de saúde) na China, ressaltando que foi necessária uma autorização excepcional para que os tripulantes pudessem voar mais horas do que o previsto na lei brasileira.

5 – A recuperação virá em cinco anos

Apesar de ser um período difícil, o setor não vai desaparecer. Para Cadier, entre as maiores empresas aéreas brasileiras, a possibilidade de falência é baixa. Ele diz que o risco existe para uma ou outra, mas não para as três maiores aéreas brasileiras juntas. O presidente da Latam afirma que em cinco anos o setor se recupera.

Fonte: E-Investidor

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