Dívida global das companhias aéreas pode chegar a US$ 550 bilhões

Segundo a Iata, isso significa aumento de US$ 120 bilhões em relação aos níveis de endividamento no início do ano. Pedido de recuperação da Latam é um alerta para o setor

O pesado nível de endividamento das companhias aéreas pode comprometer a recuperação do setor após a crise de covid-19. O alerta é da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), que divulgou, nesta terça-feira (26/5), análises que apontam para uma dívida global do setor aéreo de US$ 550 bilhões até o fim do ano. O valor representa um aumento de US$ 120 bilhões em relação aos níveis de dívida no início de 2020. O pedido de recuperação judicial do Grupo Latam nos Estados Unidos, anunciado na madrugada de hoje, é um alerta para o setor.


De acordo com Alexandre de Juniac, diretor geral e CEO da Iata, a ajuda financeira dos governos ao setor e os empréstimos são uma tábua de salvação para superar o pior da crise. Porém, a carga da dívida, no período de reinício das operações normais, no fim deste ano, terá sofrido um aumento maciço de 28%. “A ajuda do governo está mantendo a indústria de pé. O próximo desafio será impedir que as companhias aéreas afundem sob o peso da dívida que tal ajuda está criando”, afirmou Juniac.


No total, os governos se comprometeram com US$ 123 bilhões em ajuda financeira às companhias aéreas. Desse montante, US$ 67 bilhões precisarão ser reembolsados. O saldo consiste em grande parte de subsídios salariais (US$ 34,8 bilhões), financiamento de ações (US$ 11,5 bilhões) e desoneração e/ou subsídios fiscais (US$ 9,7 bilhões). 

“Mais da metade do alívio concedido pelos governos cria novos passivos. Menos de 10% serão adicionados ao patrimônio da companhia aérea. Isso muda completamente o quadro financeiro da indústria. Pagar a dívida dos governos e credores privados significará que a crise vai durar muito mais do que o tempo necessário para a demanda de passageiros se recuperar”, explicou o diretor geral da Iata.

Variações regionais

Conforme a Iata, os US$ 123 bilhões em ajuda financeira do governo são iguais a 14% da receita total de companhias aéreas de 2019, de US$ 838 bilhões). As variações regionais, no entanto, são significativas. Na América do Norte, por exemplo, o percentual da ajuda governamental sobre a receita de 2019 é de 25%, enquanto na América Latina é de apenas 0,8%. Na Europa e na Ásia, os índices são de 15% e 10%, respectivamente, enquanto na África e no Oriente Médio, de 1,1%.

“Muitos governos adotaram pacotes de ajuda financeira para evitar falências. Onde não houve resposta rápida o suficiente ou com fundos limitados, há falências. Exemplos incluem Austrália, Itália, Tailândia, Turquia e Reino Unido. Ajuda financeira vai garantir que as companhias estejam prontas para fornecer conectividade à medida que as economias forem reabertas ”, disse Juniac.

Segundo o diretor geral da Iata, o futuro será difícil, pois sobreviver ao choque financeiro é apenas o primeiro obstáculo. “Medidas de controle pós-pandemia tornarão as operações mais caras. Os custos fixos terão que ser distribuídos por menos viajantes. Além disso, as empresas terão de pagar as dívidas. Depois de sobreviver à crise, a recuperação da saúde financeira será o grande desafio para muitas companhias aéreas”, afirmou. 


Fonte: Correio Braziliense

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