Empresas aéreas esperam por forte reação do mercado em 2021

Companhias dizem que passageiro de turismo voltou aos aviões e estimam que rotas domésticas possam atingir 100% do movimento pré-pandemia ainda no primeiro trimestre do ano que vem

Em evento que reuniu agentes do setor de aviação civil, os presidentes das principais companhias aéreas que operam no Brasil mostraram otimismo com relação à recuperação do mercado doméstico. Para os CEOs, o passageiro de turismo voltou aos aviões e o movimento deve atingir 100% do período pré-pandemia ainda no primeiro trimestre de 2021. O grande desafio, segundo os dirigentes, será promover redução de custos para garantir eficiência ao setor e atratividade das passagens aos consumidores.

O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, mediou um painel do evento virtual AirConnected Digital Xperience, com as presenças do diretor executivo da Latin American & Caribbean Air Transport Association (Alta), José Ricardo Botelho, e do diretor para o Brasil da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), Dany Oliveira, no qual passou vídeos com os recados dos executivos das companhias associadas.

O presidente da Gol, Paulo Kakinoff, ressaltou que o momento é muito desafiador, mas os indicadores apontam para uma retomada consistente em 2021. “No segmento corporativo, a retomada está mais branda. Nos próximos meses, com retorno físico às empresas, o movimento deve melhorar. Os clientes não estão viajando só por necessidade, tem passageiro de lazer, porque as pessoas se sentem protegidas pelos protocolos adotados”, disse.

O presidente da Azul, John Rodgerson, assinalou que há muito o que reconstruir. “Perdemos muito dinheiro e muitos clientes. 2021 tem que ser muito bom. Tenho esperança de uma retomada muito forte, com recuperação em V para chegar ao pré-covid. Convidamos todos a voltarem a voar”. afirmou.

Jerome Cadier, presidente da Latam Brasil, afirmou que o setor não pode depender necessariamente de uma vacina. “Isso pode demorar. Para que a retomada continue como estamos vendo no fim de 2020, tem que ser contínua e gradual. Para isso, precisamos fazer convencimento de que voar é seguro”, defendeu. “Nós dependemos de viagens internacionais e ainda esperamos pela abertura de fronteiras”, disse.

Cadier lembrou que a Latam, em recuperação judicial nos Estados Unidos (capítulo 11) espera contar com a retomada em 2021 para sair do capítulo 11 e voltar a ter operações com antes, com investimento para melhorias aos clientes. “2021 vai ser um ano de recuperação.”

Eduardo Busch, diretor-executivo da Voepass, disse que já há uma retomada forte do turismo. “Estamos fazendo a adequação da malha para atender o passageiro de lazer. Vendo melhores horários e destinos servidos diretamente por nossas operações e por acordos de codeshare com Latam e Gol”, explicou. “Nossa expectativa é chegar entre 70% e 80% da produção pré-covid em dezembro e retomar 100% em março do ano que vem. Esse é o nosso desenho. Queremos que aconteça.”

Aceleração

Dany Oliveira, da Iata, comentou que, em 2019, o setor estimava um crescimento de 5% global antes de ser atingido pela pandemia. “Fizemos um trabalho muito intenso no primeiro semestre para o ecossistema sobreviver a essa realidade que a covid nos impõe. E nos faz refletir como será 2021”, destacou. Segundo ele, o tráfego aéreo doméstico, em outubro ante abril, teve um crescimento de mais de 9 vezes, enquanto o do internacional do de 4,5. “O mercado nacional está duas vezes mais acelerado”, considerou.

José Ricardo Botelho, da Alta, lembrou que chegou à direção da entidade no pior momento da história da aviação. “Em termos globais, retrocedemos a 2003, mas na região voltou a 1960. Por isso, essa retomada vai ser lenta e gradual”, projetou. “Do ponto de vista de crise, em muitos anos, jamais tinha visto o poder público e a iniciativa privada trabalhando juntos para encontrar soluções”, afirmou.

O presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, alertou que a única agenda que seguiu em aberto foi o conjunto de temas de caráter econômico, destacadamente os empréstimos prometidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “A Abear entende que temos três grandes desafios: regulação, para alinhar o brasileiro ao modelo internacional; custo, já o QAV (querosene de aviação) é um terço do nosso preço ante 22% do internacional; e de infraestrutura, sendo que a aeroportuária melhorou fantasticamente, mas temos as próximas fases de leilões”, enumerou.

Fonte: Correio Braziliense 

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