Altos custos dos testes de COVID-19 podem prejudicar a retomada das viagens aéreas

A IATA (International Air Transport Association) representa cerca de 290 companhias aéreas, que compõem 82% do tráfego aéreo global

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA – International Air Transport Association) pediu aos governos que não permitam que os altos custos dos testes de COVID-19 inviabilizem as viagens para os passageiros. Para facilitar a retomada eficiente das viagens internacionais, os testes de COVID-19 devem ser acessíveis, rápidos, amplamente disponíveis e eficazes.

A IATA analisou os custos de testes de PCR (o teste mais exigido pelos governos) em 16 países e os valores apresentaram variações entre os mercados e dentro dos mercados. As descobertas incluem:

• Dos mercados pesquisados, apenas a França arca com os custos dos testes de viajantes, atendendo à recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

• Dos 15 mercados pesquisados onde o viajante arca com os custos dos testes de PCR:

o Em média, o custo mínimo do teste é de US$ 90.

o Em média, o custo máximo do teste é de US$ 208.

Mesmo considerando o custo mínimo acima, a inclusão de testes de PCR nas tarifas aéreas aumentaria consideravelmente o custo para os viajantes. Antes da crise, uma passagem aérea só de ida, incluindo impostos e taxas, custava em média US$ 200 (dados de 2019). O teste de PCR de US$ 90 aumenta o custo em 45%, totalizando US$ 290. Adicione outro teste no destino e o custo só de ida aumentaria 90%, atingindo US$ 380. Considerando que são necessários dois testes em cada voo, o custo médio de uma viagem de ida e volta pode subir significativamente de US$ 400 para US$ 760 por passageiro.

O impacto dos custos dos testes de COVID-19 nas viagens de famílias seria ainda mais grave. Com base na média de preços das passagens (US$ 200) e do custo mínimo do teste de PCR (US$ 90) duas vezes em cada voo, uma viagem de ida e volta para quatro pessoas que custaria US$ 1.600 antes da COVID, poderia aumentar para quase o dobro e chegar a US$ 3.040 – deste valor, US$ 1.440 seriam gastos com testes.

“Com a suspensão das restrições de viagens nos mercados domésticos, vemos um forte aumento da demanda. O mesmo pode ser esperado nos mercados internacionais. Mas a demanda pode ficar comprometida de forma significativa com os custos dos testes, principalmente os testes de PCR. Com o aumento do custo de qualquer produto, a demanda será sufocada. O impacto será maior nas viagens de curta distância (até 1.100 km), com tarifas médias de US$ 105, pois os testes custarão mais do que o voo. Não é isso que queremos propor aos passageiros quando as viagens forem retomadas. Os custos dos testes devem ser gerenciados de maneira organizada. Esta é uma medida fundamental para que os governos salvem empregos nos setores de turismo e transporte e permitam a liberdade de viajar a todas as pessoas, não somente aos ricos”, disse Willie Walsh, diretor geral da IATA.

Segundo a OMS, os estados devem arcar com os custos dos testes

Os Regulamentos Sanitários Internacionais da Organização Mundial de Saúde estipulam que os estados não devem cobrar pelo teste ou vacina exigida para viajar, nem pela emissão de certificados. O Comitê de Emergência da COVID da OMS recentemente reiterou essa posição, pedindo que os governos reduzam os custos impostos para que os viajantes internacionais atendam aos requisitos de teste e outras medidas de saúde pública implementadas pelos países. Muitos estados estão ignorando suas obrigações decorrentes de tratados internacionais, colocando em risco a retomada das viagens e milhões de empregos. Além disso, os altos custos dos testes incentivam o mercado de certificados falsos.

“Os custos dos testes não devem interferir na liberdade de viajar das pessoas. A melhor solução é que esses custos sejam assumidos pelos governos, pois é sua responsabilidade, de acordo com as diretrizes da OMS. Não devemos permitir que o custo do teste – particularmente do teste de PCR – limite a liberdade de viajar. A retomada das viagens com sucesso significa muito para as pessoas – como a segurança do emprego, oportunidades de negócios e a necessidade de ver familiares e amigos. Os governos devem agir rapidamente para garantir que os custos dos testes não atrasem ainda mais a retomada das viagens”, disse Walsh.

Entre os mercados pesquisados, a França apresenta a melhor prática. O país arca com o custo dos testes, incluindo testes para facilitar a viagem. O Parlamento Europeu está no caminho certo. Na semana passada, ele pediu que os testes sejam universais, acessíveis, rápidos e gratuitos em toda a Comunidade Europeia.

“A França e o Parlamento Europeu estão ajudando a abrir o caminho. Estamos em uma emergência econômica e sanitária. O teste faz parte do caminho para a recuperação. Portanto, é responsabilidade do governo garantir teste acessível a todos. Se os governos não puderem garantir testes gratuitos, ao menos devem garantir que as empresas de testes não lucrem com as pessoas que querem apenas retomar a normalidade em suas vidas e hábitos de viagem. E isso também deve se aplicar aos próprios governos que, em hipótese alguma, devem cobrar impostos por esse serviço fundamental”, disse Walsh.

A grande variação nos custos dos testes deveria levantar discussões entre os governos. “Como é que o custo mínimo de um teste de PCR pode ser de US$ 77 na Austrália e US$ 278 no Japão, por exemplo?” disse Walsh. Os dados da Numbeo indicam que o custo de vida em Sydney, na Austrália, e em Tóquio, no Japão, é semelhante.

Os mercados analisados pela IATA foram Austrália, Brasil, França, Alemanha, Indonésia, Japão, Malásia, Nova Zelândia, Filipinas, Cingapura, Coréia do Sul, Suíça, Tailândia, Reino Unido, Estados Unidos e Vietnã. Nem todos esses mercados exigem testes de PCR. No entanto, os requisitos de entrada com testes de PCR em muitos estados tornam a disponibilização de opções em todos os lugares fundamental para a retomada das viagens.

Veja os gráficos dos custos de testes de PCR 

Com informações da assessoria de imprensa da IATA

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