Aeroporto como centro de serviço

Aeroportos são espaços preparados para receberem um alto fluxo de pessoas, diariamente, com uma série de atributos para atraírem diversas modalidades de serviços e com uma grande oportunidade de rentabilizarem este fluxo adicional de visitantes

O setor aeroportuário apresenta um conjunto relevante de oportunidades de diversificação de receitas, conforme tratei no primeiro artigo. Hoje, vou abordar uma nova vertente com alto potencial: aeroportos como centros de serviços.

Uma peça importante na diversificação de receitas é a atração do não-passageiro. Aeroportos são espaços preparados para receberem um alto fluxo de pessoas, diariamente, com uma série de atributos para atraírem diversas modalidades de serviços e com uma grande oportunidade de rentabilizarem este fluxo adicional de visitantes.  

Neste sentido, nada mais natural que tanto serviços públicos como emissão de passaportes, RGs, licenciamento de veículos, emissão de CNH, quanto serviços privados como cartórios, clínicas, laboratórios e centros de telemedicina, entre outros serviços, estejam nos aeroportos.

Vantagens para o usuário e empreendimento

Itens como amplo estacionamento, variedade de opções para alimentação, ambiente seguro e controlado por câmeras, grandes áreas de circulação, boas rodovias ou avenidas de acesso são vantagens competitivas.

No quesito segurança, a infraestrutura aeroportuária se destaca: além do monitoramento diário e constante dos seguranças contratados pelas concessionárias, há a presença de forças policiais federais, estaduais e muitas vezes municipais.

Num mundo cada vez mais dependente de flexibilidade, outro ponto importante é o funcionamento 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano, oferecendo dentro da estrutura de condomínio uma abrangência de horários. Isto permite que negócios se instalem em períodos alternativos ou mesmo que funcionem initerruptamente.

Infraestruturas amplas, modernas e totalmente em conformidade com padrões de acessibilidade são outros benefícios para passageiros e futuros usuários, tornando a experiência dos visitantes fluída e sem pontos de estresse.

A combinação destes fatores coloca o aeroporto em vantagem sobre sistemas já consolidados como shoppings centers, centros comerciais urbanos e as atuais estruturas dos estados dedicadas a serviços públicos.

O movimento de concessão dos aeroportos à iniciativa privada no Brasil trouxe um aprimoramento dos níveis de estrutura, conforto e facilidades aos passageiros, que cada vez mais será estendido para todos os usuários.

Vantagens para o Aeroporto

Aumentar a receita não vinculada diretamente ao passageiro é um dos grandes desafios da administração aeroportuária, e os serviços terão um papel importante na alavancagem deste fluxo qualificado e constante de pessoas para os aeroportos.

O desenvolvimento de serviços pode trazer desdobramentos futuros importantes, especialmente, do ponto de vista de criação de ecossistemas de serviço mais completos.

Um centro de telemedicina poderá fomentar um ecossistema de laboratório, diagnóstico, centros de vacinação e eventualmente até um desenvolvimento imobiliário hospitalar no sítio aeroportuário.

Serviços públicos como Detran e emissão de passaportes fomentam atividades como despachantes, cartórios, espaços para testes de auto  escola, médicos e psicólogos.

Estes ecossistemas rentabilizarão os espaços do aeroporto, além de receitas diretas com estacionamento e o aumento do consumo nas lojas de alimentação, bebida e varejo.

Outro efeito muito bem-vindo é que, pouco a pouco, as pessoas se acostumarão a frequentar o aeroporto, se apropriando da infraestrutura e dos serviços e facilidades ali oferecidas. Assim, a diversificação de receitas é consolidada com o enraizamento do hábito das pessoas em frequentar o aeroporto, tornando-o um novo espaço urbano que faz parte da vida da cidade.

Em resumo, nos aeroportos existe a necessidade de fluxo qualificado de pessoas. Para as cidades, a demanda por locais que tenham infraestrutura adequada para receber uma grande quantidade de pessoas por dia, sendo ao mesmo tempo seguro e de fácil acesso.

Neste contexto, aeroportos como centros de serviço são uma combinação assertiva e uma tendência para o futuro.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal AirConnected

Ricardo Gesse
O executivo Ricardo Gesse é CEO da Zurich Airport Brasil, empresa que tem 100% da concessão dos aeroportos de Florianópolis, Macaé e Vitória. Gesse tem uma longa experiência no setor de aviação. Ocupou posições de liderança em companhias aéreas e aeroportos. Em Florianópolis, foi Diretor de Operações, desde o início da administração privada do aeroporto, em janeiro de 2018, até dezembro de 2019, quando se tornou Diretor Geral. No período, foi responsável pelo complexo processo de transferência operacional do antigo para o novo terminal internacional de passageiros da Capital catarinense. Em 2020, liderou a unificação da gestão dos aeroportos de Florianópolis, Macaé e Vitória. É formado em Economia, com especializações na área de Marketing, Gestão de Qualidade e Processos.

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