A Meteorologia Aeronáutica e a Segurança das Operações Aéreas em Aeroportos

Monitoramento Remoto dos Sistemas de Meteorologia em Aeroportos

As necessidades essenciais para a instalação das EMS-A são o serviço de internet, link satelital ou chip de telefonia móvel, de forma a permitir o contato da EMS com a REDEMET do DECEA para envio dos METAR/SPECI AUTO e o monitoramento remoto das condições da estação.

Na parte logística, observa-se a baixa demanda de campo, onde o estabelecimento de um funcionário do aeródromo com noções básicas sobre a estação fotovoltaica (painéis e banco de baterias), permite o perfeito funcionamento da estação meteorológica, considerando a necessidade apenas de limpeza simples de painéis e sensores, evitar o crescimento de vegetação no interior do sítio e a incidência de ninho de pássaros e insetos nos equipamentos, entre os períodos de manutenção e calibração programados, o que auxilia na redução dos custos operacionais.

Desta forma, o monitoramento remoto permite que a manutenção preventiva ou corretiva possam ser feitas de forma planejada e direcionada, o que traz economicidade para a ampliação da vida útil dos sensores e da disponibilidade da estação.

Considerando, também, que as EMS-A implantadas pelo projeto SAC/MINFRA e CISCEA/COMAER nos aeroportos regionais vem apresentando sucesso na sua operação, monitoramento e homologação para a aviação civil, verifica-se como adequada a aplicabilidade dessa solução para aeródromos isolados e em regiões de fronteira, promovendo ampliação da acessibilidade a estas regiões, tanto para operações civis como militares.

Sítio da EMS-A em Aeródromos de Baixa Densidade de Operações

O DECEA já reconhece a EMS-A como solução para aeródromos de baixo movimento, considerando a atualização recente das ICA 63-18/18, 63-10, 105-2/2017, 105-5/2018, 100-1/2017 e AIC 16/19.

O equipamento confecciona o METAR AUTO/SPECI AUTO e transmite essas mensagens por meio de um link UHF a um servidor local, que deverá ser conectado ao Banco OPMET pela INTERNET.

Quando conectada ao Banco OPMET, a estação tem a capacidade de disponibilizar aos usuários, por intermédio da REDEMET, o METAR AUTO e o SPECI AUTO, que representam as condições meteorológicas registradas no aeródromo. Todas as estações, após homologadas são incorporadas no mapa da REDEMET, onde os tripulantes podem fazer a sua consulta quando planejando o seu voo.

Os aeródromos que possuírem tais estações homologadas pelo DECEA terão essa informação divulgada no Manual de Rotas Aéreas (ROTAER), identificadas como ERAA disponibilizando dados da frequência VHF da estação por meio do código ICAO de localidade. Para a consulta do METAR AUTO e SPECI AUTO na Rede de Meteorologia do Comando da Aeronáutica (REDEMET), o acesso se dá por intermédio do endereço eletrônico www.redemet.aer.mil.br.

Dessa forma, justifica-se a proposição dessa solução e sua continuidade de instalação, tanto para a Aviação Regional como para a Aviação Geral, em virtude da Estação Meteorológica de Superfície Automática atender ao dispositivo operacional necessário para operações seguras em aeródromos de baixo movimento e de interesse estratégico para a aviação nacional. No aspecto logístico, a padronização de sensores com o SISCEAB, para efeitos de preparação técnica de pessoal e integração da manutenção ajuda a simplificar o processo como um todo, facilitando a disponibilidade das estações, o que corrobora esta como uma solução viável para as operações aéreas nacionais como um todo.

Estações Fotovoltaicas como provedoras de Energia para os Sistemas de Auxílio à Navegação

O sistema da Estação Meteorológica de Superfície Automática (EMS-A) para emprego como Estação de Rádiodifusão Automática de Aeródromo (ERAA), objetiva a coleta, a visualização de dados em tempo real do sítio meteorológico da cabeceira principal da pista do aeroporto onde estiver instalada. Todas as informações meteorológicas produzidas devem estar disponíveis por um Sistema de Visualização de Dados nas instalações do aeroporto ou aeródromo, serem transmitidos os informes meteorológicos de voz sintetizada por meio de um enlace de rádio VHF para as aeronaves, bem como incluir informações de METAR/SPECI AUTO na Rede de Meteorologia do DECEA (REDEMET) por meio da internet.

O sistema fotovoltaico instalado para alimentação elétrica da EMS-3/A da ERAA, contempla a condição de fornecimento de energia própria (principal) por meio dos painéis fotovoltaicos e o fornecimento em caráter secundário (emergência) por meio de bancos de baterias em paralelo, conforme os projetos da EMS-A e Kit Solar de Segundo Anemômetro de EMS.

Atualmente, existem 100 (cem) Estações Meteorológicas de auxílio à navegação aérea instaladas em diversos aeroportos  equipadas com Kit-Solar e muitas homologadas pelo DECEA para operação.

Notou-se, ao longo da instalação das EMS-A que a energia comercial provida pela rede pública é instável em muitas localidades isoladas, cuja possibilidade de falha é altamente provável. Ao longo dos últimos anos, a energia fotovoltaica vem apresentando uma evolução no sentido de tornar mais estável e permanente o fornecimento, acoplada a banco de baterias quando da falta de luminosidade suficiente para a continuidade da geração. Observa-se que, apesar da baixa luminosidade durante os dias nublados, as placas fotovoltaicas continuam a gerar energia, fato comprovado em diversas regiões do país.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal AirConnected

Luiz Paulo da Silva Costa
Coronel Aviador da Reserva Luiz Paulo da Silva Costa, Gerente de Projetos Especiais de Aviação na HOBECO Sudamdericana e Gerente do Projeto de Estações Meteorológicas de Superfície Automáticas do Projeto de Incentivo à Aviação Regional da SAC. Piloto de Caça com mais de 3000 horas de voo, Instrutor da Academia da Força Aérea, da Aviação de Caça e da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica. Doutorando não-concluído em Administração pela COPPEAD-UFRJ, Mestre em Ciências Aeroespaciais pela Universidade da Força Aérea e em Estratégia e Geopolítica pelo Instituto de Enseñanza Superior del Ejército Argentino. Pró-Reitor de Ensino e Coordenador de Ensino da Universidade da Força Aérea. INSPAC piloto de 2007 a 2015 na ANAC. Chefe-Controlador de Operações Aéreas Militares, Oficial-Adjunto do Adido de Defesa e Aeronáutico junto à Embaixada do Brasil na Argentina. Subcomandante do Quarto Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo. Gerente do Projeto de Implantação do Sistema Integrado de Ensino do Comando da Aeronáutica (E-SISTENS).

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