Treiná-los para que fiquem! Desenvolvendo o capital humano da aviação civil

É unânime o conceito de que eficiência operacional, qualidade de serviços e de produtos, inovação em produtos e processos, estratégia competitiva e custos otimizados só são alcançados de forma recorrente e sustentável se o capital humano da organização for especializado e competente em áreas de conhecimento

Uma premissa incontestável de mercado é a de que uma força de trabalho verdadeiramente qualificada é fundamental para o sucesso das organizações. É unânime o conceito de que eficiência operacional, qualidade de serviços e de produtos, inovação em produtos e processos, estratégia competitiva e custos otimizados só são alcançados de forma recorrente e sustentável se o capital humano da organização for especializado e competente em áreas de conhecimento. Então, contratar profissionais experientes, treiná-los frequentemente e, em paralelo, estimulá-los a se manterem vitalizados por conta própria como parte dos planos deles próprios de desenvolvimento individual de carreira é a melhor estratégia corporativa para maximizar as chances de sobrevivência, crescimento e lucro das organizações.

Porém, algumas empresas ainda se preocupam em demasia com o impacto do turnover dos recursos humanos sobre os seus programas de capacitação e acabam se questionando se devem continuar treinando seus quadros de colaboradores, devido ao receio de desperdiçar verbas com funcionários que podem sair da organização em busca de outras oportunidades no mercado de trabalho. Isso, no entanto, não deve ser a preocupação balizadora da política de capacitação de uma corporação, pois, como já disse Henry Ford, magnata americano fundador da Ford Motor Company, “Pior do que treinar um funcionário e ver ele sair, é não treinar o funcionário e ver ele ficar”.

Já que não treinar não é uma opção, há que se moldar os programas de capacitação visando o desenvolvimento dos profissionais – independentemente de serem gestores, administrativos ou operacionais – em três principais grupos de competências:

Competências Essenciais do Negócio:

  •         Visão estratégica: Capacidade de identificar tendências de mudanças, ameaças e oportunidades nos mercados, e reposicionar adequadamente a organização.
  •         Visão sistêmica: Capacidade de perceber o impacto das estratégias e ações no contexto e nas atividades e trabalhos da organização.
  •         Orientação para resultados: Capacidade de direcionar esforços e recursos visando assegurar e atingir as metas e resultados pré-definidos.
  •         Gestão empreendedora: Capacidade de identificar oportunidades de ações inovadoras e de mudanças, bem como implementar soluções aos problemas dos processos, produtos e serviços da organização.
  •         Foco no cliente: Capacidade de direcionar esforços para a mensuração e melhoria constante da satisfação dos clientes.
  •         Excelência operacional: Capacidade de planejamento e execução das atividades para gerarem resultados de acordo com o especificado e a um custo adequado ao nível de serviço estabelecido.

Competências Gerenciais:

  •   Liderança: Capacidade de influenciar pessoas ou equipes, de forma a alcançar as metas de negócio.
  •   Negociação: Capacidade de promover acordos em situações em que existam conflitos de interesse.
  •   Gestão de recursos: Capacidade de administrar a relação custo-benefício dos processos, projetos e ações, direcionando esforços e otimizando os recursos orçamentários disponíveis.
  •   Tomada de decisão: Capacidade de selecionar alternativas de forma sistematizada e perspicaz, obtendo e implementando soluções para riscos e problemas identificados.

Competências Profissionais:

  •   Relacionamento interpessoal: Capacidade de integrar-se às pessoas com as quais se relaciona, valorizando o trabalho em equipe e mantendo um clima de trabalho agradável.
  •   Capacidade de execução: Capacidade de aplicar conhecimentos na execução de atividades de forma lógica e articulada, atendendo aos padrões de qualidade e prazo requeridos.
  •   Especialização técnica: Capacidade de buscar, aprimorar e compartilhar conhecimentos e técnicas necessários ao desempenho de suas atividades, de forma oportuna às demandas de sua área.
  •   Comunicação efetiva: Capacidade de expressar ideias e transmitir informações de forma clara e precisa e cultivando a credibilidade com clientes internos e externos.

Numa aplicação customizada dessas competências para o setor de aviação civil, um Programa de Treinamento/Capacitação poderia ter o conceito mostrado no diagrama abaixo, personalizado para o cargo/função de cada funcionário dentro da organização e do nível de experiência, aptidões e competências do indivíduo.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal AirConnected

Marcelo Mota
Engenheiro, com mestrado MBA pela Universidade de Warwick na Inglaterra, Marcelo Mota é o Diretor de Operações da Aeroportos Brasil Viracopos. Ele foi Vice-Presidente Associado do TD Bank, Diretor de Programas de TI na Greater Toronto Airports Authority, e Diretor do Project Management Institute em Ontario, Canadá.

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