Pista Molhada e a Segurança das Operações Aéreas em Aeroportos

Sistema de Monitoramento de Poças de Água em Pistas de Pouso (Aquaplaning)

 

No momento do pouso de uma aeronave, quando o trem de pouso toca na superfície molhada de uma pista alagada, a velocidade crítica mantém o pneu completamente separado da superfície do solo por uma película de água.

Essa velocidade é chamada de velocidade de aquaplanagem. O aumento da pressão da água sob o pneu se origina dos efeitos da densidade e da viscosidade do fluido. No caso de pista de pouso molhada, a incidência se restringe à hidroplanagem dinâmica.

A aquaplanagem representa um sério risco para a segurança da aviação durante chuvas fortes e é mais frequente nos trópicos. Tem sido um fator contribuinte em alguns incidentes e acidentes de aeronaves, como o voo JJ3054 da TAM, que derrapou na pista de Congonhas em 17 de julho de 2007. Informações mais precisas sobre a espessura do nível de água na pista e a existência de frisos de escoamento na pista (grooving) podem ajudar os pilotos a tomar melhores decisões sobre como pousar com segurança. Até recentemente, um método abrangente e confiável para avaliar a espessura da camada de água não estava disponível.

A hidroplanagem dinâmica é o resultado das forças hidrodinâmicas desenvolvidas quando um pneu rola em uma superfície coberta de água. Esta é uma consequência direta do impacto do pneu com a água que supera a inércia do fluido.

Quando existe macro textura suficiente na superfície e / ou o pneu tem uma banda de rodagem adequada, a hidroplanagem dinâmica total dificilmente ocorre. No entanto, a aquaplanagem pode ocorrer quando a profundidade da água é alta o suficiente para que a textura do piso do pneu e a macro textura da pista não consigam drenar a água com rapidez suficiente.

Se considerarmos “ρ” a densidade do fluido, “S” a área de atrito do pneu e “CLh” o coeficiente de elevação hidrodinâmica, segundo o Van Es[i], quando ocorre a hidroplanagem dinâmica total, “L/S” é igual à pressão do rolamento do pneu que pode ser aproximada pela pressão de enchimento do pneu “p”. Portanto, a velocidade de hidroplanagem dinâmica total (Vp) é dada como:

A ICAO definiu, a partir desse ano de 2021, a entrada do Global Reporting Format (GRF) criando uma metodologia harmonizada para avaliar e relatar as condições da pista. Impulsionado pela necessidade de maior segurança, ele confere aos aeroportos novas responsabilidades relacionadas à conformidade e à tecnologia.

De acordo com a ICAO, o relatório sobre a condição da superfície da pista pode ser feito por meio de vários meios possíveis com ciclos de atualização muito diferentes – AIPs, AICs, NOTAMs, SNOWTAMs, METARs, ATIS, comunicações do órgão ATC/piloto em tempo real.

A profundidade da camada de água na pista pode variar rápido durante eventos intensos de chuva tropical forçando a emissão do relatório, se possível, em tempo real.

Com base nesses aspectos, a Vaisala apresenta um sistema composto do Mobile GRF/TALPA Reporter, que fornece relatórios imediatos e confiáveis sobre as condições da pista e melhora a eficiência das operações aeroportuárias associado às Estações pluviométricas com sensores Medidores de chuva (ou sensor meteorológico presente com medição da intensidade da precipitação), Data logger, Comunicação de modem de rádio e Painel solar posicionados nas imediações dos três terços da pista de pouso a ser instalado.

O GRF/TALPA permite que os inspetores de pista façam seu trabalho com mais rapidez, precisão e objetividade. Construído a partir do sensor MD-30 o Mobile GRF/TALPA Reporter é extremamente robusto e mede todas as condições de superfície relevantes.

Pode ser montado em qualquer veículo e usa um aplicativo intuitivo para smartphone, gerencia dados de pavimentação, visualização e plataforma de análise, converte dados de vídeo em mapas de condição codificados por cores e pode ser usado para análises detalhadas e propósitos de treinamento.

O sistema fornece avaliação da espessura da camada de água em cada terço da pista com base na medição em tempo real da intensidade da chuva e um software para avaliar a profundidade da camada de água com base na intensidade da chuva medida, calibrada para características da pista verificadas empiricamente integradas e disponíveis para os controladores de tráfego aéreo de serviço na Torre de Controle.

Tela de visualização do Sistema de Aquaplaning para os Controladores de Tráfego Aéreo na TWR.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal AirConnected

Luiz Paulo da Silva Costa
Coronel Aviador da Reserva Luiz Paulo da Silva Costa, Gerente de Projetos Especiais de Aviação na HOBECO Sudamdericana e Gerente do Projeto de Estações Meteorológicas de Superfície Automáticas do Projeto de Incentivo à Aviação Regional da SAC. Piloto de Caça com mais de 3000 horas de voo, Instrutor da Academia da Força Aérea, da Aviação de Caça e da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica. Doutorando não-concluído em Administração pela COPPEAD-UFRJ, Mestre em Ciências Aeroespaciais pela Universidade da Força Aérea e em Estratégia e Geopolítica pelo Instituto de Enseñanza Superior del Ejército Argentino. Pró-Reitor de Ensino e Coordenador de Ensino da Universidade da Força Aérea. INSPAC piloto de 2007 a 2015 na ANAC. Chefe-Controlador de Operações Aéreas Militares, Oficial-Adjunto do Adido de Defesa e Aeronáutico junto à Embaixada do Brasil na Argentina. Subcomandante do Quarto Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo. Gerente do Projeto de Implantação do Sistema Integrado de Ensino do Comando da Aeronáutica (E-SISTENS).
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