A evolução da biometria e do controle de fronteiras

É muito interessante ver o desenvolvimento de tecnologias biométricas e como elas podem ser efetivamente incorporadas aos procedimentos modernos de controle de fronteira para aumentar a segurança, melhorar a eficiência operacional das agências de fronteira e, em geral, fornecer uma experiência de imigração mais agradável para o viajante

No último dia 12 deste mês, implementamos tecnologia biométrica no Aeroporto Internacional de Brasília, como parte do projeto Embarque + Seguro do Governo Federal. Este é o sexto aeroporto a implementar o projeto piloto de embarque 100% digital e o de maior adesão ao programa. Até o momento, mais de 2,6 mil brasileiros voaram pelo país sem apresentar documentos e cartões de embarque, apenas com a identificação biométrica nos rostos. A SITA foi pioneira ao implementar a primeira biometria no Floripa Airport no ano passado. Estamos fazendo história no Brasil novamente e desde 1958 como parte da indústria aérea brasileira. 

É muito interessante ver o desenvolvimento de tecnologias biométricas e como elas podem ser efetivamente incorporadas aos procedimentos modernos de controle de fronteira para aumentar a segurança, melhorar a eficiência operacional das agências de fronteira e, em geral, fornecer uma experiência de imigração mais agradável para o viajante. O uso de características físicas conhecidas para confirmar a identidade de um indivíduo tem sido usado pelas autoridades há mais de 100 anos. 

No final do século 19, um policial francês chamado Alphonse Bertillon introduziu uma abordagem sistemática para a mensuração física e fotografia , a fim de permitir sua posterior identificação de indivíduos. Ele mediu cinco características físicas (comprimento da cabeça, largura da cabeça, comprimento do dedo médio, do pé esquerdo e do antebraço) para identificar como pessoas de forma “única”. Ele também inventou o que hoje chamamos coloquialmente de “foto para polícia”. Seus métodos agora parecem rudimentares, mas esses princípios permanecem a base da comparação biométrica hoje. No início do século 20, policiais de todo o mundo coletavam e analisavam as impressões digitais deixadas nas cenas do crime – a fim de compará-las a criminosos conhecidos ou como evidência para uso em processos judiciais. Essas são as sementes do que agora se tornou o complexo mundo da biometria. 

Aceitação do uso de biometria

 O público em geral está cada vez mais familiarizado com o uso da biometria no dia a dia – seja desbloqueando seu smartphone usando o rosto ou impressão digital ou acessando serviços bancários por telefone por meio de reconhecimento de voz. E a biometria também tem um papel fundamental – e crescente – a desempenhar para provar a identidade de uma pessoa ao viajar através das fronteiras. 

Há muito tempo os passaportes contêm fotos impressas do titular – permitindo que os oficiais de fronteira comparem a foto com a pessoa que apresenta o documento. No entanto, esta comparação manual está sujeita aos caprichos da moda e dos pelos faciais. Embora alguns agentes de fronteira possam ser capazes de identificar indivíduos com segurança todas as vezes, muitos não são super conhecedores e, portanto, esse processo está sujeito a erro humano. 

Os passaportes modernos (passaportes eletrônicos) contêm uma cópia digital da imagem da foto impressa para permitir a correspondência computadorizada da foto do passaporte com uma imagem chamada ‘ao vivo’ do titular – ou seja, uma foto capturada no momento da inspeção pelo o agente de fronteira. A capacidade de corresponder com precisão a imagem do chip no passaporte eletrônico com a imagem ao vivo é sustentada por dois critérios principais – algoritmos e critérios de qualidade. 

Qualidade de captura e algoritmos de correspondência 

O desenvolvimento de algoritmos eficazes para identificar e comparar características faciais permite que sistemas automatizados realizem correspondências com maior velocidade e precisão do que os revisores humanos. A implantação de técnicas de aprendizado de máquina melhorou significativamente a precisão geral dos algoritmos de correspondência facial – e reduziu o custo dessa tecnologia. 

Os padrões de qualidade aplicados na captura de fotos para uso em documentos de viagem são definidos pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). Esses padrões determinam que imagens de alta qualidade de viajantes sejam tiradas para ajudar a garantir que a correspondência precisa do rosto possa ser realizada contra a foto do chip. Por exemplo, o padrão exige que o viajante esteja olhando diretamente para a câmera, tenha uma expressão facial neutra e que a foto seja tirada contra um fundo branco uniforme. Sem esse ponto de referência padrão, comparar a imagem do rosto ao vivo com a foto do chip do passaporte eletrônico é menos confiável e pode representar dificuldades na verificação precisa da identidade. 

A comparação confiável de faces é útil para os agentes de fronteira para garantir que a pessoa à sua frente é o titular legítimo de um documento de viagem, mas o benefício para os viajantes vem com a implantação de soluções de Controle Automatizado de Fronteiras. Familiares a muitos viajantes, esses sistemas permitem que certos grupos de viajantes ignorem a inspeção manual e ultrapassem a fronteira por meio de eGates – usando tecnologia biométrica para combinar a imagem ao vivo do rosto do viajante com a imagem do chip em seu passaporte eletrônico. Muitas nações também estão optando por implantar quiosques para fins de inscrição de viajantes – automatizando o processo de captura de dados biográficos e biométricos de um viajante e removendo a carga dessa tarefa manual de agentes de fronteira altamente treinados. 

Para conhecer mais sobre o Embarque + Seguro, não perca o painel “Segurança, Tecnologia & Automação” com participação do Serpro, MInfra, BH Airport, Inframérica e da SITA durante o AirConnected. 

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal AirConnected

Elbson Quadros
Elbson Quadros é Vice Presidente da SITA para a América Latina e Caribe – empresa líder mundial em soluções de TI e comunicações para a indústria de transporte aéreo. O executivo é responsável pela estratégia e resultados da empresa nos mais de 20 países da região e lidera a área de vendas e relacionamento com clientes e parceiros. Com mais de 20 anos de experiência, Elbson tem passagens pelas empresas IBM, Sabre, Atech (Grupo Embraer) e Indra. Sua experiência inclui Direção Executiva, Gestão Estratégica em TI, Vendas, Desenvolvimento de Negócios e Inovação. Elbson possui MBA pela Universidade do Texas – Estados Unidos, Mestrado e Bacharelado em Ciência da Computação pela UNICAMP e Universidade de Viçosa respectivamente.
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