O imediatismo da civilização WEIRD e seu impacto no mundo corporativo!

Diversos foram os fatores que contribuíram para o inesperado sucesso de nossa civilização WEIRD, sobre as sólidas dinastias orientais. Niall Ferguson, em Civilização (2012), explora com impressionante riqueza de detalhes, cada um destes aspectos, entre os quais, alguns despertam minha especial atenção – a Propriedade, o Consumo e a Competição

Ao longo dos últimos cinco séculos, ao contrário do que as perspectivas poderiam indicar, os incipientes, despreparados e desorganizados povos do ocidente, ultrapassaram sem dificuldades, as grandes e bem estabelecidas dinastias orientais, estabelecendo no planeta, um notável protagonismo, em torno de princípios básicos da chamada civilização WEIRD (Western, Educated, Industrialized, Rich and Democratic).

Claro, nossos princípios sagrados de igualdade, liberdade, fraternidade e direitos humanos, impuseram-se à custa de séculos de barbárie e extermínio sangrento de raças, povos, tribos, civilizações e espécies (e que se proteja agora, o meio ambiente !).

Hoje o mundo assiste, atônito, à tentativa do Ocidente, de criar núcleos de civilizações WEIRD em regiões historicamente habitadas por povos para quem, democracia e direitos humanos, fazem tanto sentido quanto Ilona Staller (a Cicciolina) dos anos 90, ou Anitta dos dias atuais, e seu empoderamento feminino, via sexualidade. Não funciona! Para eles, a verdade está na Sharia e não na constituição ou na bíblia!  

Diversos foram os fatores que contribuíram para o inesperado sucesso de nossa civilização WEIRD, sobre as sólidas dinastias orientais. Niall Ferguson, em Civilização (2012), explora com impressionante riqueza de detalhes, cada um destes aspectos, entre os quais, alguns despertam minha especial atenção – a Propriedade, o Consumo e a Competição

É, no mínimo curioso, que uma civilização que orgulha-se de promover (e se necessário, impor), valores ditos universais, como igualdade e fraternidade (a despeito de seus pecados seculares), tenha, na realidade, sido forjada pela ânsia de possuir, consumir e competir. 

Talvez isto explique o apelo das redes sociais, onde o imediatismo de ferramentas tecnológicas nos permitem PARECER, sem o ônus do SER. E afinal, de que são feitas corporações, se não de seres humanos?

No cotidiano do universo corporativo e do mundo dos negócios (propriedade, consumo, competição) é necessário e urgente FAZER algo, deixar sua marca, associar seu nome a um grande projeto, antes que o trem da história o atropele e você tenha conseguido apenas SER, e não PARECER! É crescer ou morrer – Grow or Die, The Unifying Principle of Transformation, George Land (1997).

Para onde se olhe – e o Transporte Aéreo não é exceção, vemos, diariamente, projetos e programas de qualidade e justificativa questionáveis, serem implantados, efusivamente celebrados, catapultarem seus líderes a carreiras de sucesso…. e em seguida, sepultados, sem honra e sem glória, por já não mais servirem à finalidade de gravar na história, o nome daqueles agora empenhados em novos desafios, que aumentarão suas vitrines de realizações (?) pessoais.

Afinal, para um profissional, que sabe que estará na empresa por não mais que alguns anos, ou para uma empresa que sabe que sua longevidade talvez não ultrapasse uma década, que importa SER? É necessário e urgente obter, consumir e competir de forma a, sem qualquer dúvida, PARECER!!!

Na área do Transporte Aéreo, projetos que resultaram de décadas de dificuldades, aprendizado, tentativas, erros e acertos, em regiões de volume de tráfego substancialmente maior que a América Latina, são sintetizados em um Manual, permitindo a qualquer profissional adquirir, consumir e pronto – hora de competir e deixar o nome gravado na história!

Como comparar esta experiência do PARECER, com o entediante caminho do SER – anos e anos de estudo, tentativas e erros, até que algum dia, um chefe de mau humor, lhe pergunte – o que você FEZ este tempo todo, além de aprender?

Novas oportunidades se avizinham para profissionais e corporações!

Basta aproveitarmos o imediatismo das redes sociais – as mesmas em que nossos filhos postam selfies da balada sem graça de ontem à noite, só pra dizer ao mundo – “eu estava lá”.

É preciso aproveitar o grande legado tecnológico da civilização WEIRD!!!!    

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal AirConnected

Sergio Martins
Engenheiro, formado pela UFRJ, com Pós Graduação em Administração, Marketing, Comunicações e Comércio Exterior. Diretor de Serviços de Tráfego Aéreo da Saab e membro do Grupo de Trabalho ATFM/A-CDM da CANSO. Iniciou sua atividade professional como Controlador de Tráfego Aéreo, em 1983, no Controle de Aproximação do Rio de Janeiro. Ainda na área técnica, trabalhou como Despachante Operacional de Voo e Engenheiro de Operações na VARIG. Passou à indústria em 1993, trabalhando na mais conceituadas empresas multinacionais do setor. Acumula mais de 30 anos de experiência em distintas áreas operacionais e comerciais do transporte aéreo internacional.

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