Capacitação de Capital Humano

Por que investir em sua força de trabalho compensa?

Certa vez, durante uma conversa com líderes de algumas das corporações da indústria de aviação brasileira, escutei a seguinte frase: “Mais importante do que treinarmos nossa força de trabalho é oferecermos a possibilidade de educação a todos. Somente assim teremos uma companhia com crescimento sustentável e focada nos resultados de longo-prazo.” Mas qual a diferença entre “treinar” e “educar”? Será que de fato existe alguma diferença? Ou seria aquilo somente mais um jogo de palavras dentro do vernáculo corporativo? Foi então que comecei a pensar sobre o tema de maneira mais concreta e pude perceber que não somente existe diferença, mas também que organizações que mais investem na educação da sua força de trabalho são as que apresentam os melhores resultados operacionais e financeiros.

Para começarmos, é necessário distinguir o significado de treinar e educar. E mais importante ainda, ressaltar que ambas as atividades são necessárias para o sucesso de qualquer empresa. Treinar diz respeito a capacitar indivíduos a fim de realizar algum tipo específico de atividade ou tarefa. Na maioria das vezes, oferece um conhecimento isolado e prático/pontual para ser utilizado no curto prazo. Na indústria de aviação, talvez seja o tipo mais comum e frequente de capacitação: do piloto ao pessoal responsável por carregar e descarregar a aeronave, do comissário de bordo ao controlador de tráfego aéreo e mecânico de aeronaves – todos, sem exceção, são frequentemente submetidos a sessões de treinamento. Qual o objetivo em comum a todos? Capacitar pessoas a fim de realizar alguma atividade ou tarefa específica, em sua grande maioria ligado ao dia a dia da operação. Como a indústria de aviação é fortemente baseada na execução de processos com a menor quantidade possível de erros, o treinamento de pessoas é uma atividade bastante presente no cotidiano de todos.

Por outro lado, “educar” a força de trabalho é algo mais amplo, que possui maior valor agregado e consequentemente custa mais caro. E talvez seja por este motivo (i.e., custar mais caro) que muitas organizações investem pouco na educação de seus colaboradores, já que gestores podem não considerar positivo o retorno sobre investimento (ROI) proveniente destas iniciativas, especialmente quando resultados não são prontamente obtidos. Investir em educação é um processo de longo prazo! Quando falamos em capacitação, “educar” a força de trabalho faz referência ao “porquê”, ao invés do “como” no caso de treinamento. Via de regra, pessoas expostas a maiores oportunidades de educação tendem a analisar processos já implementados de maneira mais holística, e possuem presentes consigo habilidades mais fortes de inovação e otimização de resultados. Outro ponto positivo da educação é sua “durabilidade”: Processos e atividades aprendidos em treinamentos são facilmente esquecidos quando não utilizados de maneira recorrente; já a educação é uma bagagem que acompanha o indivíduo pelo resto da vida.

Nós na Embry-Riddle Aeronautical University acreditamos fortemente na busca contínua por educação dentro das organizações da indústria de aviação, assim como também compreendemos o valor de atividades de treinamento. Por isso, a universidade está presente no Brasil há muitos anos e tem como um dos pilares de nossa atuação no país a contribuição ativa para a indústria nacional, através da oferta de atividades de educação e treinamento. Possibilitar que profissionais tenham acesso à educação e treinamentos de qualidade é fundamental para o crescimento contínuo e sustentável da indústria de aviação no Brasil.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal AirConnected

Israel Treptow
Israel Treptow
Israel Treptow atualmente é Diretor Executivo da Embry-Riddle Aeronautical University para as Américas Central e do Sul. Juntou-se à universidade Norte-Americana em setembro de 2019 após ter passado três anos atuando na indústria de aviação em países do sudeste Asiático. Israel possui mais de dez anos de experiência em empresas nacionais e internacionais e iniciou sua carreira como instrutor de voo e gestor de segurança operacional. O executivo é bacharel em Ciências Aeronáuticas, pós-graduado em gestão empresarial e mestre em ciências aeronáuticas com especialização em gestão de aviação.

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