SAFE Escola de Aviação assina acordo com a Montaer para 60 aeronaves de instrução

SAFE Escola de Aviação e a empresa aeronáutica Montaer Aeronaves assinaram parceria para aquisição de 60 aeronaves MC01 em 10 anos, tendo como meta um primeiro voo elétrico em 2023

startup SAFE Escola de Aviação e a empresa aeronáutica Montaer Aeronaves fizeram um anúncio relevante, recentemente, de uma iniciativa pioneira no Brasil. Durante o denominado “SAFE Day”, as parceiras divulgaram a assinatura de um Memorando de Entendimento para a aquisição de 60 aeronaves MC01 em 10 anos, tendo como meta um primeiro voo elétrico em 2023.

O anúncio foi resultado de um processo iniciado meses atrás, onde a SAFE buscava adquirir uma nova aeronave segura para instrução de seus pilotos, sendo ela fácil e “dócil” como o Cessna 150, e também com alta tecnologia embarcada, além de contar com paraquedas balístico, como o Cirrus SR20, ambas aeronaves da atual frota.

Para decidir entre três finalistas, a SAFE considerou requisitos como aeronave com ótimo histórico de segurança; fabricante disposto a eletrificar o avião para atingir a meta de zero emissão de carbono até 2025; grupo motopropulsor inicial ROTAX; capacidade produtiva; despachabilidade; suprimento; custo de aquisição; ergonomia e, por fim, payload. Por fim, a Montaer sagrou-se vencedora.

O empresário e fundador da Montaer, Bruno de Oliveira elogiou a iniciativa da escola, bem como suas metas diante do mercado: “O projeto deles [SAFE] é um projeto bonito, grande, e nós da Montaer não poderíamos estar de fora. Para a gente será um marco trazer essa aviação elétrica para o Brasil. Nós vamos entrar forte com a SAFE, vamos buscar esse fornecedor, esse motor e baterias e para o ano que vem já é uma meta nossa o primeiro voo da aeronave elétrica”.

Aeronave elétrica: Motorização e Tecnologia

A nova aeronave Montaer MC01 chegou equipada com motor ROTAX 912 ULS, escolhido pela SAFE, diante da oportunidade de excluir o uso do Avgas, que tem o custo elevado e dificulta a formação de alunos com menor renda, e aceita o combustível automotivo Mogas Unleaded.

O combustível aceito pelo motor ROTAX, já usado amplamente no Brasil, não possui chumbo, o que também torna menores as emissões poluentes. Embora não seja possível utilizar a gasolina Podium no motor, a SAFE se comprometeu em entrar com processo de certificação para o uso. Atualmente, o ROTAX é certificado apenas para combustíveis com 10% de etanol.

No painel da aeronave de asa alta, o grande diferencial é o Garmin G3X Touch de alta capacidade de dados, em uma aviônica de alta tecnologia, assegurando toda segurança durante os voos.

Eletrificação: Aeronave elétrica

No ano passado, a SAFE havia anunciado que usaria o modelo Pipistrel Velis Electro na formação básica de seus pilotos, no entanto, a aeronave não foi trazida ao Brasil devido a não conseguir realizar o seguro de casco e o investimento seria alto para não ter tal segurança. Já com a Montaer, foi acordado uma parceria de garantia estendida de casco.

Para a motorização elétrica, a SAFE já está em conversas com alguns players tais como Aircraft Electric Motors, Rolls Royce, Honeywell e a brasileira WEG. Vale destacar que, recentemente, a Embraer utilizou em seu EMB-203 Ipanema um sistema motopropulsor elétrico da WEG e um conjunto de baterias financiadas pela EDP.

ANAC

O diretor-presidente Juliano Noman da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) esteve presente de forma remota e comentou sobre o grande marco no que diz respeito à primeira vez em que o Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) recebe uma Aeronave Leve Esportiva (ALE) sob a regulamentação brasileira atualizada, que possibilitou à Montaer realizar a venda das aeronaves à SAFE.

Foi destacado ainda a idade avançada das aeronaves utilizadas nas instruções nos dias atuais no país e a melhoria deste aspecto que a SAFE traz com a compra das 60 aeronaves com tecnologia de ponta.

“Nós aviadores sabemos como os aeroclubes e centros de instruções têm uma frota razoavelmente antiga, e isso vem dos custos das aeronaves certificadas. Então esse negócio, agora comercial, vai viabilizar o ‘update’ em nossa instruçãoNós vamos diminuir esse ‘gap’ que temos entre os cockpits de aeronaves de 1970, e os que os pilotos recém-formados vão encontrar principalmente na aviação executiva ou na aviação comercial. É um ganho sim na qualidade de instrução é um ganho sim na segurança é um ganho para todos nós brasileiros.”

Com informações da Assessoria de Imprensa

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